Vencer em tempos de pandemia

 

“Hoje, quando acordei de manhã, senti que ia fazer história”.

Estas foram as palavras de Telma Monteiro, quando há cinco dias conquistou a Medalha de Ouro no Campeonato Europeu de Judo, realizado em Lisboa.

Todas a conhecem e reconhecem. Ela é a judoca portuguesa e europeia mais medalhada, com 15 subidas ao pódium desde 2004, ano em que se iniciou na modalidade.

Telma recordou a preparação difícil para este Europeu, após várias lesões  que a condicionaram fisicamente, a par das limitações impostas pelos sucessivos estados de emergência, que ao longo do ultimo ano, condicionaram duma forma geral, os treinos dos atletas de alta competição.

Apesar de todas as condicionantes, Telma tinha motivos para acreditar que seria o seu dia. O campeonato que se realizava em Lisboa, e o sonho adiado da conquista do pódium, um sonho que  ficara por realizar  desde os Europeus de 2008, por lesão.

“Quando meto uma coisa na cabeça, só paro até a fazer”,  é revelador da vontade de acreditar, na vontade de vencer.

E nós ! Acreditamos nas nossas capacidades, para o fazer acontecer nas atuais circunstâncias ? Sabemos o que queremos, para onde queremos ir,  para onde nos deixam ir, ou para onde queremos que todos vão ?

Olhando para os mais diretos adversários, a atleta tinha a certeza que eram melhores fisicamente, mas psicologicamente  seria dificil vencê-la. Telma estava moralmente preparada para a conquista. Chegou mesmo a apontar depois da prova, a sua força mental como “ o grande trunfo” que a levou à nova conquista.

E nós ! Estamos mentalmente preparados para os novos desafios ? Estamos preparados para os novos modelos de trabalho, presencial ou teletrabalho ? As novas estruturas organizativas, ou os planos salariais em discussão ?

Sobre a conquista da medalha, Telma deu também importância aos momentos menos conseguidos:  “Sentia-me grata, antes de ganhar. E quando nos sentimos gratos pelas pequenas coisas, conseguimos coisas ainda melhores”.

E nós !  Damos atenção às coisas pequenas ou mesmo prejudiciais, com o objetivo de  aprender a olhar para além do problema ? o que aprendemos com a pandemia ? que soluções podem ser encontradas ? o que é importante reflectir ?

Telma, tem referido por várias vezes que a maior lição da sua carreira desportiva, e que caracteriza a modalidade que pratica, é aprender a cair para levantar-se. Acrescentaria que  importa também a rapidez com que nos levantamos.

E nós ! Estamos preparados para nos levantar com a rapidez que o mercado nos impõe,  e a tempo de responder às novas necessidades e realidade das empresas? A recuperação vai ser longa, por isso é importante já estarmos de pé, e preparados para os novos combates.

Em 2016, quando a judoca conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olimpicos do Rio, já pensava em Tóquio 2020 e na conquista de mais medalhas.

Por força da Covid-19, os jogos foram adiados para 2021, e nesta altura a organização considera a possibiliade de novo adiamento.

No entanto, continuar no topo do mundo e ser uma das melhores, é o seu grande desafio.

Um desafio que “torna-se uma motivação para mim”, referiu Telma Monteiro.

E nós ! O que nos motiva em tempos de adversidade e incertezas ? qual a motivação das nossas equipas ? Sabemos quais as suas expetativas, as suas ambições e difculdades ? Já tivemos tempo para os escutar ?

Por várias vezes, Telma teve de fazer paragens e recuperar de lesões graves.

A recuperação ao ombro que afetou a estabilidade da articulação,  a operação ao cotovelo,  e o joelho, levou a que estivesse muito tempo sem competir e sem treinar.

Certamente, muitos julgaram que a sua carreira deportiva poderia estar comprometida.

Ao contrário, Telma percebeu  que ainda se sentia feliz a treinar, que ainda tinha um espírito competitivo. “Não era o momomento  para parar”.

E nós! Porque somos felizes com o que fazemos, mesmo que estejamos a recuperar de algumas “lesões”,  não vamos parar !

Porque amanhã,  é dia de vencer. É dia de fazermos  “ippom” !

Por Luis Roberto, Managing Partner da Comunicatorium

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