Liderança “sustentável”

 

Muito se fala de sustentabilidade. A sustentabilidade do planeta, a sustentabilidade das empresas, das marcas, os produtos e os serviços sustentáveis. Tudo é sustentável.

Na verdade, a sustentabilidade e em específico a Agenda 2030, e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, estão na agenda das empresas.

A Comissão Europeia espera que em 2024 os diferentes sectores da indústria  estejam em condições de iniciar a implementação dos seus projetos com impacto na comunidade, contribuindo desta forma, para a metas globais, e para os ODS prioritários definidos por cada País.

Normalmente, associamos sustentabilidade à preservação do ambiente e às ações climáticas, mas com efeito, ser sustentável significa contribuir também para a erradicação da pobreza e da fome, redução das desigualdades, qualidade do ensino, trabalho digno e crescimento económico, inovação e infraestruturas, cidades e consumos sustentáveis.

Segundo o último Sustainable Development Report,  Portugal ocupa a 26ª posição no que se refere ao trabalho desenvolvido na implementação dos ODS, existindo ainda um longo caminho a percorrer na resolução de desafios significantes.

Com a chegada dos ODS à vida das empresas, o Business and Sustainable Development Commission, estima que surjam novas oportunidades de negócio capazes de gerar um valor comercial de 12 triliões de dólares, com as áreas da mobilidade, cuidados de saúde e eficiência energética a ocuparem o pódium.

As empresas vão igualmente beneficiar com a integração da sustentabilidade na estratégia do negócio. E esse é o caminho !

Temas como a gestão de talentos, a otimização de processos, a redução de custos, e a visão do consumidor sobre o papel importante das empresas no desenvolvimento sustentável, são razões fortemente válidas para que as empresas abordem a sustentabilidade.

Tenho nos últimos anos, acompanhado de perto a mudança das empresas nacionais e europeias na definição das suas estratégias de sustentabilidade, e atrevo-me a dizer que a par da inovação e do digital, a sustentabilidade tem também evoluído a uma velocidade extrema.

O desafio que se impõe às empresas, implica no imediato, criarem as estruturas organizativas, com  competências e capacidade para definirem, implementarem e gerirem a sua estratégia de sustentabilidade.

Quer isto dizer, que um novo perfil de liderança, começa a surgir. A liderança sustentável.

Uma liderança com paixão pelo que fazem, e com a habilidade para transmitir essa paixão aos outros.

Uma das características da  liderança sustentável passa pela disponibilidade para partilhar de forma construtiva, ativa e contínua o seu conhecimento e experiência.

A liderança sustentável é capaz de assegurar a sensibilização e o engagement das suas equipas em torno dos novos propósitos e dos novos desafios, comunicando eficazmente, de forma transparente e baseada em factos, porque sem credibilidade, a comunicação é entendida como greenwashing.

A crise pandémica trouxe-nos entre muitas coisas negativas, a possibilidade de reaprendermos com os erros cometidos. O Build Back Better , não é mais do que a oportunidade para a liderança sustentável poder  replanear, e de ser rápida na recuperação.  Terá como principal  desafio, saber olhar para o futuro, traçando o melhor caminho para se atingir os objetivos, mesmo que o caminho seja atualmente desconhecido.

Usar o desenvolvimento sustentável como motor de crescimento, vai ser a forma das empresas se diferenciarem,  e consolidarem o seu posicionamento no mercado.

A liderança sustentável estará fortemente envolvida no cumprimento das metas do desenvolvimento  sustentável e do European Green Deal, assumindo um papel mais ativista, no interesse não apenas dos seus acionistas, mas também dos seus clientes e da comunidade. A transformação dos negócios não é mais um conceito moderno, mas uma obrigação económica, face à nova realidade que todos vivemos.

A procura da eficiência energética, a gestão dos recursos naturais e financeiros, a digitalização com o objetivo de aproximar as pessoas e ligá-las à tecnologia, e o desenvolvimento da economia circular estarão na ambição da liderança sustentável, onde o nível de compromisso com as suas equipas é, e será  sempre, determinante para a sustentabilidade das empresas.

Por Luis Roberto, Managing Partner da Comunicatorium

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